Kubo Bar Esplanada [Restaurantes]

Situado em Santos, frente ao Tejo, o Kubo Bar Esplanada tem certamente uma localização privilegiada que garante logo à partida uma vista excelente. E de facto é o que acontece.

Ontem decidi ir lá jantar ao início da noite.

A noite estava agradável se bem que um ligeiro vento bastante comum nessa zona do vale do Tejo teimava em tentar estragar a noite. Felizmente não o conseguiu.

O local está muito bem conseguido. Sendo uma plataforma elevada tem uma vista sobre o Tejo e a margem sul deslumbrante (mesmo não sendo aquela a zona mais bonita deste rio). A esplanada termina num espelho de água que se confunde com o rio causando um efeito visual muito relaxante. Parece até que estamos em pleno rio Tejo.

Como o objectivo era jantar após um aperitivo decidimos ir até ao restaurante lounge onde se serve o fondue. Mais uma vez o espaço está muito bem conseguido, criando através do uso de espelhos uma sensação de dimensão muito superior à real e permitindo a quem fica de costas para o rio aproveitar da vista sem quase nenhuma limitação.

Para entrada comi beringela com tomate e queijo mozarella gratinado. Não sendo grande fã dos dois vegetais em causa devo dizer que gostei muito. O queijo mistura-se muito bem com os vegetais e anula o seu sabor forte o que para mim é o ideal. Com mozarella gratinado pode-se fazer coisas mais interessantes para entrada mas não foi mau. Houve quem não tivesse gostado tanto como eu.

É um restaurante que se diz de fondue mas na minha opinião o que é servido é carne na pedra. Supostamente o fondue consiste numa panela com óleo (ou queijo) mas o que é servido aqui é carne para se colocar em cima de uma pedra quente e dessa forma grelhá-la. Pormenores semânticos à parte passemos à frente.

Quanto ao prato principal não há muita variedade. Limita-se a duas hipóteses: fundue de novilho e fundue misto (de novilho, porco e avestruz mas que por azar estava esgotado). No final disseram-nos que em breve deve haver também de peixe e marisco, o que deve ser interessante se bem escolhido o peixe.

Quem me conhece sabe que não sou grande apreciador de carne de vaca mas devo admitir que a carne servida aqui era de muito boa qualidade e gostei bastante do sabor. O facto de ser cozinhado por nós permite ter a liberdade de passar a carne a gosto e assim cada um teve a oportunidade de comer a carne como mais gosta. Certamente uma das vantagens. Para acompanhar batatas fritas (não muito original), meloa e ananás que aproveitei para passar na chapa quente e tostar um bocadinho. Isto tudo bem acompanhado com 6 variedades de molho que completmentam muito bem a carne e satisfazem todos os gostos.

Quanto ao vinho fomos para um João P. Ramos Aragonês. Um vinho muito macio e que acompanhou muito bem a refeição. Se já era fâ deste produtor mais ainda fiquei.

Como sobremesa escolhemos gelado e um brownie. Quanto ao primeiro nada de especial limitando-se a 3 bolas numa taça. Não havia muitas variedade (algumas estavam esgotadas) e as que havia não eram particularmente interessantes. Salvou-se o sabor de tangerina mas na minha opinião faltava talvez o chocolate. Quanto ao brownie era servido ligeiramente quente e com chocolate em cima. Apesar de aparentemente pequeno revelou-se suficiente ou então tornaria-se um bocado enjoativo. Acabámos por misturar as duas sobremesas o que se revelou a melhor ideia para a sobremesa.

Resumindo: As entradas podiam ser mais diversificadas ou melhor escolhidas. Há pouca variedade de pratos principais mas são suficientes pois têm qualidade. Nas sobremesas há que trabalhar um pouco mais pois corre-se o risco de estragar a imagem conseguida com o que já foi servido antes.

Não deixa no entanto de ser um local agradável principalmente por causa da paisagem e da excelente vista sobre o Tejo. Um bocado caro mas suporta-se bem para uma ida ocasional.

O problema dos créditos na produção de jogos [Opinião]

Não é um problema novo, mas com o lançamento de Warhammer Online (o site oficial confirma para 18 de Setembro) a questão voltou à ordem do dia.

Os jogos estão claramente a aumentar de complexidade o que implica um aumento do número de elementos das equipas de produção. Com esse aumento começa a aparecer o problema dos créditos pelo trabalho realizado.

Muitos dos estúdios e produtores começam a incluir apenas nos créditos alguns dos elementos que fizeram parte das longas equipas de produção devido ao seu elevado número.

No caso do Warhammer Online, que demorou cerca de 3 anos a desenvolver, muitos dos elementos vão ficar de fora. A produtora afirma que apenas vai creditar os membros da equipa que ainda se encontram ao serviço da mesma na data de lançamento.

Isto levanta um problema grave. Visto que o meio da produção de jogos é altamente competitivo em termos de mercado de trabalho os créditos são de importância vital para os elementos das equipas pois é uma forma de suportar o seu próprio currículo. Assim uma vasta maioria dos elementos não consegue ver o seu trabalho reconhecido e dessa forma vê-se com mais dificuldade de conseguir futuros trabalhos.

Será essa pratica correcta? Na minha opinião não.

Compreendo que é um problema para uma produtora (ou estúdio) listar nos créditos de um jogo toda a equipa. E nos casos (como o Warhammer Online) de produções gigantescas e que se alongam muito no tempo esse problema é ainda maior. Mas essa questão não deve ser desculpa. Todos os créditos devem ser reconhecidos.

Para tentar resolver esse problema a IGDA (International Game Developers Association) começou uma luta pelo direito a ser creditado. Assim sugere um conjunto de linhas orientadoras e regras que deveriam ser seguidas por todos as produtoras de forma a assegurar um correcto e justo reconhecimento dos créditos dos elementos envolvidos.

É ainda um rascunho de um trabalho que está a ser desenvolvido mas parece-me que vai bastante avançado e de uma forma bastante justa cria uma série de regras importantes.

Seria importante haver um padrão na industria relativamente a este assunto pois a máxima “you’re only as good as your last game” (és tão bom como o teu último jogo, numa tradução livre) é cada vez mais verdade. O trabalho de qualidade destaca-se e certamente que os bons profissionais merecem reconhecimento, mesmo que sendo apenas uma pequena parte da equipa. O contributo de todos é o que faz o resultado final ser o que é, e não é o ter saído de uma empresa antes do lançamento de um jogo que faz com que o trabalho desenvolvido não seja merecedor ou importante.

Reconheço que como jogador não costumo dar grande importância aos créditos de um jogo. Se gostar mesmo muito do jogo vou por vezes ver a equipa. Conheço alguns nomes e sei a sua qualidade. Mas quando falamos de membros da mesma industria, ou de procura de talentos por outros estúdios, a importância é muito maior.

Por isso quando estiverem a jogar Warhammer Online, ou outro grande jogo, lembrem-se que houve uma grande equipa envolvida na produção dos mesmo. E mesmo ao ler os créditos lembrem-se que talvez falte lá alguém.

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