O (novo) poder do link [Opinião]
O link está a revolucionar a internet. Outra vez.
Também eu já me questionei porque é que alguns grandes sites não colocam links nos seus artigos. E a única explicação que encontro é algo preocupante: apesar de estarem presentes na internet esses sites ainda não compreendem a internet.
Mas isso parece estar a mudar. Devagar mas já começou.
As notícias de que os grandes sites de jornais começam a ter planos para incluir links para o exterior – entenda-se para fora do seu próprio site – poderá vir revolucionar o poder que o link tem.
Actualmente uma grande parte do algoritmo do Google, principal motor de busca a nível mundial, é baseada no link. Da mesma forma o Technorati baseia a sua escala na quantidade de links que uma página obtém. Aquilo a que chamou de “Authority” não é mais do que a quantidade de links que um blog tem a indicar para ele. E este esquema funciona. E está preparado para os links que existem actualmente que são feitos principalmente por outros blogs ou alguns agregadores (como o Digg, por exemplo).
Mas os grandes sites começam a perceber a força do link e que numa internet baseada no link não podem fazer as suas próprias regras e continuar a ignorar este factor.
As pessoas habituaram-se e querem links. Já ninguém quer ficar na mesma página. Querem conhecer coisas novas e estão abertas a conhecer a internet. Aliás é isso mesmo que a internet tem de maravilhoso. Podemos começar a navegar num site sobre carros e acabar por ler algo sobre culinária, passando entretanto por uma página dedicada a arte. As possibilidades são imensas e é essa a magia da internet que continua a atrair milhões.
As pessoas querem explorar o mundo! E se houver quem lhes indique o caminho ainda melhor. Aqui entra o link.
Não é novidade. Muitos sites populares já o fazem como por exemplo Kotaku ou Videogaming 24/7 (casos que conheço melhor).
O Digg só faz isso e o seu sucesso vem de ter tornado os próprios leitores nos editores. É o poder na mão do leitor. Mas não apenas o poder de escolher como o poder de conhecer algo de novo.
Mas quererá isto dizer que o actual sistema de links estará ameaçado? Provavelmente sim. Com grandes sites a fazer links o equilíbrio vai-se alterar e ao início os motores de busca ficaram baralhados (o Google provavelmente irá actualizar o seu algoritmo de forma a compreender melhor esta nova realidade).
Mas agora coloca-se outra questão: serão os sites “grandes”, isto é com o PageRank™ elevado, penalizados por linkar a sites menores? Já sabemos que o Google por vezes se engana e interpreta mal alguns links penalizando quem os faz pensado tratar-se de links pagos.
E então além de critérios editoriais terão os sites dos órgãos de comunicação social também de ter critérios de PageRank™? Sites com o PageRank™ elevado como por exemplo o NYTimes (com 9) ou como em Portugal O Público (com 7) devem preocupar-se por linkar a sites com classificação inferior?
Provavelmente o que iremos ver nos primeiros tempos é a utilização de links “No Follow” que mesmo sem representam nenhum compromisso originam visitas. E esses grandes sites pela quantidade de visitas tem capacidade para originar o tipo de tráfego que deita servidores abaixo.
Para alguns blogs isso poderá fazer diferença e passar de apenas mais um para ser uma referência no seu campo.
Mas algo já começou a mudar. Em Portugal O Público pelo menos referencia os blogs que lhe linkam. Mas continua a não fazer links para fora. Parece-me um pouco falta de cortesia principalmente porque em parte esses sites têm uma boa classificação de PageRank™ por serem linkados por muitos outros.
De facto no futuro o ênfase passará do tentar manter o leitor dentro do site para o enviar para fora e dar-lhe a conhecer coisas novas. Coisas de tal maneira interessantes que o leitor vai voltar ao site original para repetir a experiência. E isto vezes em conta.
E essa será a nova internet. Com o link a ganhar um novo poder e a voltar a revolucionar a internet.

