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A recusa de domínio à WikiLeaks pela FCCN [Internet]

Muito se tem falado da WikiLeaks nos últimos tempos.

E aparentemente a FCCN recusou a atribuição de um domínio à WikiLeaks, pelo menos de acordo com o jornal Sol. Título enganador e tal como muitas notícias anteriores que indicavam uma história parecida, mas cheias de inexactidão.

Quem teve a recusa de registo do domínio wikileaks.org.pt foi o Professor Mário Valente. Aliás já o tinha publicado no seu blog a anunciar.

Não me cabe a mim fazer a defesa da FCCN, nem é esse o meu objectivo. Mas na realidade as razões apontadas são correctas. Não foi a organização WikiLeaks que pediu o referido domínio (a não ser que o Professor Mário Valente de facto seja um legítimo representante da organização, e aí o meu argumento cai totalmente por terra). Como tal é possível que de facto o nome de domínio solicitado induza em erro ou confusão sobre a sua titularidade. Mesmo tendo o Professor Mário Valente tido como objectivo redireccionar o domínio para o site original, facto é que não tinha nenhuma obrigação de o fazer.

Se a FCCN começar a deixar registar domínios que possam induzir em erro podemos ter algumas situações perigosas no futuro. Porque nada impede alguém mal intencionado, ao contrário do Professor Mário Valente, redireccionar para endereços errados ou mesmo usar esses domínios para publicar conteúdos errados ou prejudiciais às legitimas  entidades.

Quanto ao esforço da WikiLeaks tem todo o meu apoio. As reacções de alguns governos (e em especial do governo dos Estados Unidos) demonstram claramente que a liberdade e democracia sob a qual pensamos viver é frágil. E mostra também que muitas vezes os interesses defendidos por esses governos são algo obscuros e não se percebe na totalidade de quem são os interesses em causa.

GRID [Internet]

Recentemente uma série de notícias publicadas em alguns órgãos de comunicação social portugueses (como o Expresso e a SIC Online) noticiavam um grande desenvolvimento na área da computação, prometendo até uma revolução quer iria substituir a internet.

Esta notícia foi recebida com grande entusiasmo por alguns dos internautas portugueses. Eu inicialmente também me entusiasmei apesar de já conhecer este projecto por motivos profissionais. Mas os factos relatados não estavam correctos, como logo foi explicado em vários comentários nos diversos sites. Por isso aqui ficam algumas explicações muito simples.

A GRID (grelha em português), ao contrário do noticiado, não é uma nova internet. Nem vai revolucionar a utilização que fazemos da mesma. A GRID é um serviço para partilhar capacidade de computação e armazenamento de dados através da internet.

A GRID, inventada pelo CERN, tem como objectivo ajudar a interpretar os dados que vão ser produzidos nas experiências do LHC (Large Hadron Collider), que se prevê ir gerar cerca de 10 Petabytes de informação por ano. A sua rapidez deriva do suporte físico utilizado, nomeadamente da fibra óptica, que também pode ser usado na internet.

O próprio sistema GRID não é nenhuma novidade e já foi utilizado anteriormente noutros projectos, como por exemplo no conhecido SETI@Home ou no Folding@Home.

O nó português da GRID está a ser desenvolvido pela FCCN e pelo LIP.

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