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airdiogo num copo

Já fazia parte dos meus planos criar um site apenas dedicado aos prazeres da mesa e do vinho. Faltavam acertar alguns detalhes até que me envolvi noutro projecto que inviabilizava (principalmente pelo tempo que consumia) dedicar-me a mais um blog.

Mas finalmente agora surgiram as condições para isso. E assim surgiu o airdiogo num copo.

Apesar de já terem aparecido aqui no blog alguns posts sobre restaurantes, este nunca me pareceu o local mais apropriado para abordar o assunto. E quando começou a surgir a vontade de falar mais sobre temáticas mais ligadas à mesa e ao vinho sempre tive algum receio de este não ser o local com mais enquadramento. Talvez por isso nunca tenha abordado por aqui os vinhos, uma paixão minha dos últimos anos tal como quem me vai acompanhando no Twitter sabe.

Então para quem estas temáticas possam interessar este novo local é onde podem apanhar as ideias que partilho sobre comidas e vinho. Principalmente vinho, tentando uma abordagem descontraída e que passe para além de simples notas de provas, pois para isso vou continuar a usar o Adegga como tenho feito.

Podem também seguir este projecto na sua página do Facebook.

Ir comer em Valhelhas [Restaurantes]

Armado com uma excelente sugestão do Pedro Rebelo (fico a aguardar a review do restaurante entretanto) lá fomos em direcção a Valhelhas.

No sopé da Serra da Estrela esta pequena aldeia apresenta uma excelente variedade gastronómica, que faz inveja a muitas localidades deste país.

O local escolhido acabou por ser o Soadro do Zêzere. No hotel foi sugerido como sendo mais adequado aos mais pequenos que povoavam o nosso grupo em número agradável.

A primeira impressão da localidade é fantástica. De uma beleza diria quase fora do comum não fosse haver mais algumas terras vizinhas a partilhar a belíssima paisagem.

Quando ao restaurante entramos numa pequena sala. Com um ar muito requintado e bem arrumado tem logo à entrada a mesa do buffet de sobremesas. Sobressai logo à vista um excelente leite creme e o requeijão para acompanhar com vários doces (sobremesa bastante popular nestas bandas).

À mesa as entradas esperavam por nós. Já atrasados para a reserva tínhamos ligado a saber a ementa o que me fez salivar durante 15 km. Mas já lá vamos.

O queijo fresco estava já temperado com pimenta e uma pitada de sal. Um toque bastante agradável tendo em conta a mestria com que tinha sido feito o tempero.

A acompanhar as entradas as típicas azeitonas. Verdes. Bastante saborosas até, apesar da minha preferência ser pelas azeitonas esmagadas.

A surpresa, principalmente por ser pouco usual nos restaurantes estava no azeite. Simples, com um dente de alho para temperar.

Isto tudo com a fantástica broa que se faz nesta zona e logo aqui fiquei fã do Soadro do Zêzere.

Para o prato principal fomos por uma das sugestões da casa: Sopa Seca.

A melhor descrição foi mesmo a do dono: “tipo cozido à portuguesa. Mas as carnes são desossadas. Tudo acompanhado com muita couve cozida. E bastantes enchidos”.

Mas fica ainda melhor. Esta combinação só por si já de fazer crescer água na boca é preparada de maneira especial. Por baixo ficam as carnes com o chouriço, dento do próprio caldo da cozedura. Por cima leva as couves. Cobre-se com fatias de pão e vai ao forno. No final os enchidos são colocado no topo.

Foi uma das melhores refeições que fiz nos últimos tempos. Tudo acompanhado com um vinho tinto da zona: Quinta dos Termos 2008. Um vinho tinto suave com fruta vermelha e uns toques a baunilha e alguma madeira (muito ligeira). Talvez das melhores combinações possíveis entre um prato e um vinho. Foi por sugestão da casa e devo dizer que foi muito bem aconselhado. Infelizmente nem sempre em Portugal neste campo se tem uma atenção nestes pormenores. E servido à temperatura ideal de 18ºC.

E se a refeição já ia pesada ainda faltava mais uma das pieces de resistance da casa. O buffet de sobremesas.

Sem cair na tentação de exagerar na variedade o Soadro do Zêzere apresenta um buffet com doces e frutas suficientes. Destaca-se o arroz doce e o leite creme. No último tivemos a sorte de apanhar um prato acabado de queimar. Não podia estar mais perto da perfeição.

Destaco ainda o famoso requeijão. Sobremesa popular por estas zonas deve-se acompanhar com doce.

Se por acaso alguma vez estiverem nas proximidades de Valhelhas (algures entre Manteigas e Belmonte, bem no sopé da Serra da Estrela) então este é também um bom restaurante para visitar. Caso não estejam por perto então façam o desvio que vale a pena a refeição.

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